ERAUMAVEZ
Contadores de histórias
O Início
Tudo começou nos anos 1990, quando o Departamento de Assistência Social da Federação Israelita do Estado de São Paulo passou a incentivar as pessoas a oferecer seu tempo em um Banco de Horas destinado a programas de voluntariado.
Como havia muitos interessados em contar histórias, o Departamento ofereceu em janeiro de 1997 uma oficina de capacitação, que ficou a cargo de Regina Machado, professora da Universidade de São Paulo e pesquisadora das histórias da tradição oral.
Após o curso intensivo de dois dias, alguns participantes resolveram formar um grupo para atuar na contação de histórias: Any Trajber Waisbich, Bronia Liebesny, Selma Serebrenic Nachim, Teresita Rubinstein, depois acrescido de Cira Patlajan e Luiz Roberto Egreja.
Eram pessoas de formação profissional diversa, que não se conheciam anteriormente. Não tinham nenhuma experiência em contação de histórias, exceto com filhos, netos e sobrinhos.
Passaram a reunir-se semanalmente em março de 1997 e definiram como público-alvo crianças e adolescentes em situação de risco e marginalidade social ou com necessidades especiais.
Apesar de o grupo ter surgido de uma iniciativa da comunidade judaica, não tinha nenhum tipo de restrição. Qualquer pessoa interessada poderia integrar o grupo, e as instituições atendidas não precisariam necessariamente ser judaicas.
Nas reuniões, os cinco pioneiros ensaiavam as contações como haviam aprendido no curso, e cada um foi descobrindo seu próprio estilo. Conversavam também sobre as histórias que seriam mais adequadas a cada público. Convém contar histórias de medo? Podemos falar sobre morte? Será que crianças de comunidades carentes se interessam por contos de fadas e princesas? Até hoje essas perguntas estão sem resposta, porque percebeu-se que tudo depende do momento, do público, da forma de narrar e do desejo do próprio voluntário de contar esta ou aquela história.
Alguns meses depois da formação, o grupo recebeu a primeira solicitação: contações semanais em uma creche da Avenida Rio Pequeno, zona Sul de São Paulo. Outras entidades chegaram, diversificando o público-alvo, e também novos contadores.
O grupo foi ganhando experiência, ampliando seu repertório de histórias e descobrindo as particularidades de cada público. Para aprimorar-se, os voluntários assistiam a apresentações de outros contadores e faziam cursos.
Em pouco tempo o Era Uma Vez tornou-se conhecido e, além das contações de histórias, recebeu também pedidos para dar oficinas de capacitação para entidades que desejavam ter seus próprios contadores. O grupo desenvolveu um curso próprio e passou a oferecer a capacitação, gratuitamente, a qualquer pessoa interessada. Desde então, a cada ano o Era Uma Vez forma dezenas de novos contadores de histórias.

