ERAUMAVEZ
Contadores de histórias
O Mistério dos sapatos das princesas
Adaptação do conto dos irmãos Grimm: “Os sapatos gastos de tanto dançar”
Era uma vez um rei que tinha doze filhas. Ele amava muito as filhas e não queria que elas fossem embora do castelo nunca, por isso ele as proibia de sair.
Elas dormiam no mesmo quarto, em doze camas lado a lado. Todas as noites o rei mandava trancar a porta do quarto das princesas por segurança. Quando amanhecia, os sapatos das princesas apareciam gastos, furados, e o rei mandava fazer novos sapatos. Ele não entendia como isso podia acontecer, se elas nunca saíam do castelo. Então anunciou que quem descobrisse o mistério dos sapatos das princesas poderia se casar com uma delas e herdar o reino.
Muitos tentaram, mas nem os príncipes mais espertos conseguiram descobrir o mistério.
Um dia um soldado muito corajoso estava voltando para casa depois de muitas batalhas quando viu o anúncio do rei. Ele resolveu ir ao castelo tentar a sorte e no caminho encontrou uma velha senhora muito simpática. Começaram a conversar e ele contou que ia tentar descobrir o mistério no castelo. Ela, que mais parecia uma fada madrinha, lhe deu um conselho: “Não tome nenhuma bebida que as princesas te oferecerem”. Também lhe deu um presente mágico, uma capa de invisibilidade. Ficando invisível, poderia seguir as princesas.
O soldado foi bem recebido no palácio e ganhou trajes reais. Na hora do jantar as princesas ofereceram um vinho, mas ele não tomou nem uma gota, só fingiu que estava tomando. Ele fez muito bem, pois a princesas tinham colocado uma poção mágica que o faria dormir.
Quando chegou a hora de dormir ele foi conduzido à ante-sala do quarto das princesas, deitou no sofá, começou a fingir que estava dormindo, até roncou, mas ficou vigiando tudo que acontecia no quarto.
As doze princesas, quando viram que ele estava dormindo, começaram a se arrumar com lindos vestidos de festa. Quando estavam prontas, a princesa mais velha estalou os dedos e logo duas camas se afastaram, aparecendo uma escada secreta subterrânea.
Depois que as princesas desceram a escada o soldado vestiu a capa mágica, ficou invisível e correu atrás das princesas. Na pressa ele pisou no vestido da princesa mais nova, e quando ela se assustou as outras disseram que não era nada, não tinha mais ninguém ali.
Elas passaram por um bosque onde as folhas das árvores eram de ouro, e o soldado, que vinha logo atrás, arrancou uma folha. O barulho assustou a mais nova. As irmãs não viram nada e disseram para ela não se preocupar. Em seguida passaram por outro bosque onde as folhas eram de prata. O soldado invisível arrancou mais uma folha e assustou a caçula. Por fim atravessaram um bosque onde as folhas eram de diamante, e a princesa mais nova já estava desconfiada que alguma coisa estava errada, quando ouviu o barulho do soldado arrancando outra folha.
Mas as princesas estavam com pressa e seguiram em frente até a beira de um lindo lago azul onde doze príncipes esperavam por elas, cada um com um barco, para levá-las até o palácio na margem oposta. O soldado foi no barco da princesa mais nova, que estava cada vez mais preocupada e sentia que alguma coisa ia dar errado.
Nesse palácio as princesas dançaram a noite inteira, cada uma com seu principe. Dançaram todos os tipos de música até amanhecer.
Um pouco antes de amanhecer elas voltaram correndo para o castelo, e dessa vez o soldado voltou no barco da mais velha. Chegando ao castelo elas tiraram os sapatos e dormiram até tarde.
No dia seguinte o soldado mostrou ao rei as folhas de prata, ouro, diamante e lhe contou toda a história de como as princesas gastavam seus sapatos durante a noite.
As doze irmãs ficaram muito impressionadas com a astúcia do soldado!
O rei, aliviado por descobrir o mistério dos sapatos das princesas, anunciou que dali em diante faria uma festa dançante todas as noites no castelo, para que as princesas não precisassem mais sair.
Assim foi feito, e elas puderam convidar os seus príncipes para dançar no castelo.
O soldado então escolheu uma das princesas para casar e disse que morariam no castelo com o rei. Não sei qual princesa ele escolheu, só sei que o rei ficou tão feliz que organizou uma festa de casamento maravilhosa com um baile onde todos dançaram ao som de lindas músicas a noite inteira, até gastar os sapatos.
Adaptação feita pela voluntária
Luciane Mazzola Figueiredo
História do Fantasma
Todo mundo conhece a história do fantasma que quer ter muitos amigos, mas acaba assustando todo mundo....
Mas o que ninguém conhece é a história do fantasma que tinha muitos amigos e não conseguia assustar ninguém.
Seu grande sonho era ser um fantasma temido e assustador, pois isso lhe daria poder e respeito.
O problema é que ninguém se assustava com ele. Pelo contrário, todos davam risada, o chamavam para conversar e tirar foto. Ele era superpopular!
Nem mesmo as crianças tinham medo do fantasma. Os pequenos adoravam brincar com ele, puxavam seu lençol e tentavam derrubá-lo. Por isso, o pobre fantasma era sempre visto correndo assustado de uma criança pequena – fato que aumentava ainda mais a sua fama de bobão.
E assim como no mundo dos humanos, que procuram ser aquilo que querem ser, e se esquecem daquilo que são, o fantasma também vivia seus dias vagando pelo mundo em plena frustração.
Até que, numa noite de Halloween, algo aconteceu...
Uma terrível bruxa, com inveja da popularidade do fantasma, armou um plano para trancá-lo no armário junto com os lençóis sujos para sempre.
A bruxa queria aparecer e ser notada, mas não conseguia. Ela até roubou a bolsa do diabo que veste Prada mas, mesmo assim, ninguém dava bola para ela.
E quando chegou meia-noite, a terrível bruxa se aproximou do fantasma para capturá-lo. Ele ficou gelado, tentou fugir, mas o caminho estava cheio de gente.
E foi nessa hora que a criançada, sem perceber a presença da bruxa, cercou o fantasma para tirar uma “selfie” e o salvou da bruxa invejosa.
Desde então, o fantasma aprendeu que seus amigos são a coisa mais importante e poderosa que ele tem.
Ele nunca mais quis assustar ninguém, e sentiu uma enorme gratidão por ser quem ele realmente era.
História criada pela voluntária Fernanda Sodré Moreno